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NEWS2020
  AD&C Número 3 / setembro a dezembro de 2018
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Foi em Vale de Santarém, onde nasceu, que Joaquim Meira descobriu a sua vocação ao olhar para uma boneca sem roupa. Tinha oito anos e a "brincadeira" resultou na criação e confeção de duas peças "que deixassem a boneca mais confortável", diz a sorrir. Assim fez! Duas, depois três, quatro, cinco e, quando aos 11 anos concluiu o 1.º ciclo, iniciou a sua atividade profissional com uma única certeza: ser alfaiate costureiro. 

Dois anos depois, viajou da sua pequena aldeia para Santarém. Tinha um emprego garantido como ajudante do alfaiate "mais conceituado" da cidade. A técnica foi-lhe ensinada durante anos. A arte, há muito que estava cravada nos dedos das suas mãos. "E no coração!", afirma orgulhoso.

 

O seu sonho crescia com a idade e aos 19 anos rumou a Lisboa. O Parque Mayer, a revista, as atrizes e os atores, a roupa e os adereços, eram agora a sua vontade. Bateu à porta, mas não se abriu. Virou costas. Mas não à arte! Essa podia ser construída em qualquer outro lugar.

 

Coimbra acolheu-o. Foi pai, casou, abriu o seu ateliê, desenhou e concebeu muita roupa de homem. Tornou-se um Alfaiate de gabarito. Voltou a desenhar, coseu, rematou, sangrou dos dedos, produziu mais e mais roupa, agora também de senhora. Tornou-se Costureiro e o sonho ganhava forma.

 

Hoje, 52 anos depois da primeira criação numa boneca, é Costureiro Alfaiate!

 

                                          Veja aqui o testemunho em vídeo de Joaquim Meira

 

"Trabalho com uma paixão tão grande! Sou um felizardo por fazer o que sempre quis e é um orgulho vestir quem procura o meu trabalho. Em Portugal, Brasil, Inglaterra, Alemanha, muitos são os países onde alguém passeia os meus fatos, camisas, vestidos", afirma. E se aos 19 anos a porta do teatro não se abriu, hoje são vários os atores que vestem os tecidos por si moldados: "Acreditei sempre em mim, na força da natureza, e é essa força que me faz querer sempre mais", explica.
 

Foi essa força, a paixão grande que diz sentir, que levou Meira, como é conhecido entre família, amigos e clientes, a inscrever-se no Centro Qualifica do Cearte - Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património, financiado pelo POCH, com o apoio do Fundo Social Europeu, no âmbito do Portugal 2020. Concluiu, em 2016, o Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) de nível Básico e também o RVCC profissional de costura (nível 2), com um excelente desempenho.

 

"Fazermos parte da União Europeia e termos estes apoios disponíveis é algo que não tem preço para o nosso país. Sem estas formações apoiadas, neste caso pelo POCH, muitos dos que comigo estavam no Centro Qualifica do Cearte não teriam conseguido", explica.

 

Reconhecido e com a perceção que mais e melhores qualificações são a forma de elevar a qualidade do seu trabalho, está prestes a concluir o processo de dupla certificação, na vertente escolar e na vertente profissional de Alfaiate, para obtenção do nível secundário – nível 4. "É um renascer aos 60 anos", afirma emocionado.

 

A par da formação que desenvolve para concluir o 12º ano, Joaquim Meira foi convidado pelo Cearte para ele próprio ser formador de Costura – Casacos, um trabalho que "é a melhor forma de passar aos mais jovens todos os conhecimentos sobre uma arte que não pode morrer", afirma. Mas não esconde a tristeza por "serem tão poucos os jovens que querem aprender a arte".

 

E se a porta da sala de aula não se abre tantas vezes como desejaria, Joaquim Meira vira de novo as costas, não aos alunos, mas ao estigma que os afasta de querer aprender a profissão de Alfaiate: "Eu, para concluir o 12º ano, vou apresentar um trabalho centrado em explicar a profissão, para que se entenda que nem tudo tem de ser feito numa fábrica. Um Alfaiate Costureiro faz à medida, personaliza, olha a pessoa, entende-a e desenha-a. E no fim a peça é única, não haverá nunca outra igual, porque não há mãos nem corações idênticos".

 

Fonte: POCH / Fotos: Tiago Pinto
 

 
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