No Dia da Europa entrevistámos a Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal

Mai 8, 2026 | AD&C, Comissão Europeia, Notícias

Nesta data especial do Dia da Europa, em 2026, fomos ouvir Sofia Moreira de Sousa, Representante da Comissão Europeia em Portugal, que assume a responsabilidade de ser a voz institucional da Comissão em território português.

A Representação da Comissão Europeia em Portugal atua como um eixo de articulação estratégica entre o executivo comunitário e a realidade nacional.

 

ENTREVISTA

 

  1. Este ano, no dia 9 de maio celebramos, não só o Dia da Europa, mas também os 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, como também o 40.º aniversário das primeiras comemorações oficiais do Dia da Europa e da utilização pública da bandeira e do hino da UE. O que representa este dia, e a Declaração Schuman, para os cidadãos europeus atualmente, e em particular para os portugueses?

O Dia da Europa não é apenas uma celebração simbólica – é uma evocação do que conseguimos construir juntos. Há 76 anos, a Declaração Schuman lançou as bases de um projeto que hoje reúne 27 países, mais de 440 milhões de cidadãos e a maior área de paz e prosperidade do mundo.

Para os cidadãos, isto traduz-se em realidades muito concretas: mais de 17 milhões de europeus vivem ou trabalham noutro Estado-Membro, milhões de jovens beneficiaram do Erasmus+, e temos um mercado único que representa cerca de 14% do PIB mundial.

Para Portugal, os 40 anos de adesão são particularmente significativos. Desde 1986, Portugal recebeu mais de 100 mil milhões de euros em fundos europeus. Isso permitiu transformar o país — das infraestruturas às qualificações — e posicioná-lo no centro do projeto europeu.

 

  1. Numa altura de múltiplos desafios globais, qual considera ser o principal papel da União Europeia na vida e no futuro dos cidadãos europeus?

Hoje, o papel da União Europeia é claro: garantir que os europeus estejam protegidos e preparados para situações cada vez mais exigentes.

Protegidos, num contexto de guerra no continente europeu, de instabilidade geopolítica e de pressão económica. A UE mobilizou mais de 90 mil milhões de euros em apoio à Ucrânia e lançou instrumentos comuns para responder à crise energética.

Preparados, porque o futuro se decide agora. Estamos a investir centenas de milhares de milhões de euros na transição climática e digital — só o NextGenerationEU mobiliza mais de 800 mil milhões de euros.

A União Europeia é hoje um ator global. São vários os acordos comerciais que foram recentemente assinados, desde o Mercosul, Canadá, India e Austrália e outros se seguirão.  Isto mostra bem a força de sermos um ator global.

 

  1. A política de coesão é um dos pilares da ação europeia. Que balanço faz da aplicação destes fundos em Portugal?

A política de coesão é uma das maiores histórias de sucesso da União Europeia e Portugal é um exemplo claro disso.

Nas últimas décadas, os fundos europeus financiaram milhares de projetos: estradas, hospitais, escolas, apoio a empresas, formação profissional.

Mas o contexto mudou. Hoje, o foco tem de ser ainda mais claro onde se situam os nossos desafios: aumentar a produtividade, adaptar as competências da população ativa atual e futura para as necessidades da economia, investir em segurança e defesa com usos duais.

 

  1. Como avalia o envolvimento dos cidadãos portugueses com o projeto europeu? Há margem para reforçar essa ligação?

Os portugueses são segundo o último Eurobarómetro os cidadãos que mais confiam na União Europeia – cerca de 79%, numa trajetória crescente de confiança. Isso é uma base sólida. Mas podemos fazer mais. Há ainda uma distância entre a Europa e o quotidiano de muitos cidadãos. E essa distância não se resolve com mensagens abstratas — resolve-se com resultados visíveis.

Quando a Europa contribui para criar empregos, reduzir custos de energia, apoiar empresas ou melhorar serviços públicos, os cidadãos reconhecem isso. O desafio é tornar essa ligação mais clara, mais direta e mais presente no território.

 

  1. Que papel podem instituições como a AD&C ter nessa ligação entre a Europa e os cidadãos?

A Agência para o Desenvolvimento e Coesão tem um papel central nesse esforço. Porque é aqui que a Europa se torna concreta. São estas instituições que garantem que os mais de 20 mil milhões de euros do atual quadro financeiro chegam à economia real em Portugal. Mas o papel não é apenas técnico. É também estratégico. Trata-se de garantir impacto, transparência e proximidade. De mostrar onde estão os resultados.

 

  1. Que atividades estão previstas para este ano no âmbito da celebração do Dia da Europa e dos 40 anos de adesão?

Este ano, as celebrações têm uma dimensão especial, porque assinalamos também os 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia. É com muito prazer que vejo que as iniciativas se multiplicarem um pouco por todo o lado no país, incentivadas por inúmeras instituições.

O centro das iniciativas da Representação da Comissão Europeia é o Porto, com um programa que combina momentos institucionais com atividades abertas ao público. No dia 9 de maio, destacam-se a sessão solene nos Paços do Concelho e um concerto gratuito  da fadista Kátia Guerreiro, mas há também iniciativas mais próximas dos cidadãos, como uma corrida, exposições e conferências ao longo do mês. Há também uma dimensão simbólica importante, com a iluminação de edifícios em todo o país com as cores da União Europeia, como será o caso da Câmara Municipal do Porto.

No fundo, o objetivo é simples: celebrar com os cidadãos e aproximar a Europa do dia a dia das pessoas.

 

  1. Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores neste Dia da Europa?

 A Europa não é algo distante, faz parte do nosso dia a dia. Num mundo cada vez mais incerto, a União Europeia continua a ser um espaço de estabilidade, oportunidades e proteção. Mas constrói-se todos os dias. Exige compromisso e empenho por parte de todos nós. Assim, juntos seremos de facto mais fortes!

 

Fonte: AD&C/Rep. CE Portugal