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Relatório ERC sobre a representação de mulheres e homens nos blocos informativos

Out 17, 2018 | Notícias

O relatório da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) “Género nos blocos informativos de horário nobre nos canais de sinal aberto RTP1, RTP2, SIC e TVI” apresenta dados relativos aos anos de 2015, 2016 e 2017.

 

No âmbito do V Plano Nacional para a Igualdade, Cidadania e Não-Discriminação (V PNI), a ERC iniciou a monitorização permanente e sistemática da representação de mulheres e homens nos blocos informativos de sinal aberto.

 

Identifica os tipos de conteúdos, mensagens sexistas e estereotipadas, entre outros critérios na informação diária emitida em horário nobre nos canais públicos RTP1 e RTP2, e privados SIC e TVI.

 

Principais Resultados

Observa-se que os três anos considerados mantêm as tendências já identificadas em 2014, permanecendo a preponderância de atores do sexo masculino nos noticiários de horário nobre.

Nas amostras consideradas no triénio em análise, os protagonistas homens são os mais representados em qualquer dos serviços noticiosos, com valores acima dos 70%. Já as mulheres representam apenas um quinto dos atores destacados nas peças analisadas. As notícias protagonizadas por ambos os sexos, categoria que abrange atores da mesma área de proveniência, cujo destaque mediático é partilhado, representam apenas oito por cento da amostra.

Se, em algumas áreas, como na política nacional, a presença de representantes femininas tem observado uma evolução favorável, noutros domínios, como no mercado de trabalho, apesar da sua feminização, a liderança das empresas continua a ser ocupada por homens.

Com efeito, a atribuição de cargos de destaque nos governos a figuras políticas femininas, como o foram nos Governos das legislaturas nos períodos considerados na análise, em particular, as pastas das finanças, agricultura, administração interna, justiça, refletem-se no equilíbrio estatístico das presenças femininas nos alinhamentos considerados. Por outro lado, a procura de protagonistas político-partidários centra-se nas lideranças, cuja prevalência é sobretudo masculina, com a exceção do Bloco de Esquerda e do CDS-PP, condicionando a visibilidade de atores do sexo feminino. No campo das atividades parlamentares, a seleção jornalística também dá maior visibilidade aos deputados do sexo masculino em exercício, destacando-se os líderes das bancadas parlamentares.

No sector laboral, são várias as análises que sustentam que, embora a feminização do mercado de trabalho em determinados sectores seja substancial, os lugares de liderança continuam a ser ocupados por homens. A cobertura noticiosa de atores da área da economia, finanças e negócios, reflete esta tendência.

Já no desporto, apesar da diversidade de modalidades desportivas, o futebol, em particular praticado por homens, continua a ser preponderante nos alinhamentos dos noticiários. À ausência da cobertura de diferentes modalidades desportivas, acresce a falta de diversidade na cobertura de modalidades praticadas por mulheres, apesar do aumento de desportistas federadas.

Nos representantes da ordem interna também se verifica um contraste relevante uma vez que os homens aparecem, em grande parte, como perpetradores de crimes e as mulheres como vítimas.

Já na categoria de atores sociedade a voz feminina parece ser mais ouvida que a masculina, no entanto, esta consubstancia-se em relatos de histórias de figuras públicas e celebridades e em testemunhos de cidadãs sobre casos ligados à sua família ou ao seu bairro.

Um dos pontos a explorar em futuras análises será o desequilíbrio acentuado, com maior presença de figuras femininas, que se verifica quando os temas dizem respeito à esfera privada.

 

Consulte o Relatório da ERC.

Fonte: CIG